não me sobra outra opção além de recorrer à razão e seus benditos freios
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
tem certas coisas que eu não sei dizer
Eu não sinto saudades. Bastam-me paredes, livros e café. Basta-me meu corpo. Eu o sinto às vezes como uma entidade a parte, algo não-meu que me serve de companhia no silêncio.
O que eu sinto de realmente meu são os olhos. Conheço-os míopes mas apesar disso a autoconsciência às vezes é insuportável, é tudo o que tenho, tenho a cabeça. O coração, na maior parte do tempo, atrofia. Ontem à noite, na insônia da ansiedade, assombrada pelo meu amor à solidão, senti o coração um pouco embaixo das orelhas, pulsando sangue e expandindo audivelmente as carótidas externas, entregando ao meu cérebro o suficiente para manter a mente acordada e trabalhando. Eu estava cansada. Eu queria dormir. Mas ouvi o sangue, e o barulho era alto demais.
Lúcida. No escuro. E não importa, agora, o que pensei. Digo lúcida porque meus olhos não conseguiam fechar, mas na verdade, de manhã me arrependo da maior parte do que fui de madrugada. Acho que estava desperta, e a parte difícil é tentar descobrir quem eu sou, verdadeiramente; se sou o que pensei e senti antes de conseguir adormecer, se sou o que sou quando acordei e era de dia e havia luz (luz, digo, do lado de fora).
Mas estou falando da insônia, desse jogo besta de luz e madrugada, porque você está voltando e eu, bem, senti sua falta esses dias.
Senti saudade e você não foi de jeito nenhum uma ausência. Você esteve mais presente que nunca. Na minha pele, nas pontualidades casuais do dia em que você esteve realmente aqui, nas coisas que eu vi e não consegui compartilhar por telefone.
Você esteve presente na tristeza que eu não consigo te comunicar, embora ache que você entenderia, e aprofundaria, e esclareceria, e então me tiraria de lá pra dormir aconchegada no seu colo.
Senti saudades e confirmei meus planos de te amar e de querer ser amada por você, independente de quem eu seja, e de quem você é, se eu sou o que sou de dia ou de noite, se você é quem é perto ou longe.
Senti saudades e meu coração desatrofiou enquanto eu pensei em você.
O que eu sinto de realmente meu são os olhos. Conheço-os míopes mas apesar disso a autoconsciência às vezes é insuportável, é tudo o que tenho, tenho a cabeça. O coração, na maior parte do tempo, atrofia. Ontem à noite, na insônia da ansiedade, assombrada pelo meu amor à solidão, senti o coração um pouco embaixo das orelhas, pulsando sangue e expandindo audivelmente as carótidas externas, entregando ao meu cérebro o suficiente para manter a mente acordada e trabalhando. Eu estava cansada. Eu queria dormir. Mas ouvi o sangue, e o barulho era alto demais.
Lúcida. No escuro. E não importa, agora, o que pensei. Digo lúcida porque meus olhos não conseguiam fechar, mas na verdade, de manhã me arrependo da maior parte do que fui de madrugada. Acho que estava desperta, e a parte difícil é tentar descobrir quem eu sou, verdadeiramente; se sou o que pensei e senti antes de conseguir adormecer, se sou o que sou quando acordei e era de dia e havia luz (luz, digo, do lado de fora).
Mas estou falando da insônia, desse jogo besta de luz e madrugada, porque você está voltando e eu, bem, senti sua falta esses dias.
Senti saudade e você não foi de jeito nenhum uma ausência. Você esteve mais presente que nunca. Na minha pele, nas pontualidades casuais do dia em que você esteve realmente aqui, nas coisas que eu vi e não consegui compartilhar por telefone.
Você esteve presente na tristeza que eu não consigo te comunicar, embora ache que você entenderia, e aprofundaria, e esclareceria, e então me tiraria de lá pra dormir aconchegada no seu colo.
Senti saudades e confirmei meus planos de te amar e de querer ser amada por você, independente de quem eu seja, e de quem você é, se eu sou o que sou de dia ou de noite, se você é quem é perto ou longe.
Senti saudades e meu coração desatrofiou enquanto eu pensei em você.
Cada voz que canta o amor não diz tudo o que quer dizer
Tudo o que cala fala mais alto ao coração
Eu te amo calado, como quem ouve uma sinfonia de silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer
(Certas coisas, Lulu Santos)
domingo, 17 de agosto de 2014
Todas as coisas que me fizeram bem destruíram minhas ilusões, frustraram minhas expectativas e me fizeram sangrar. Tudo o que floresceu em mim, as poucas espécies de flores que me habitam, são fruto dessa história, da vida que derrubou meus castelos, que me deu insônia, que me deixou órfã ou cega. Que riu de mim, denunciou minha arrogância vazia e minhas vaidades. Que me destronou, me desarmou e não me bateu, porque eu não era nada que merecesse um murro. E me deixou livre. A trilha sonora que canto é alegre. É uma canção de esperança, não frágil, não delicada, ela permanece apesar de mim, ela toca quando não quero cantar, ela está sempre afinada me chamando pra dançar, constante, constante.
O melhor e talvez único Homem morreu todos os dias até que chegou o dia de entregar sua vida, e viveu e morreu pra dizer que fizéssemos o mesmo.
Eu não deveria esperar absolutamente nada de amanhã.
O melhor e talvez único Homem morreu todos os dias até que chegou o dia de entregar sua vida, e viveu e morreu pra dizer que fizéssemos o mesmo.
Eu não deveria esperar absolutamente nada de amanhã.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
É teimosia de família essa insistência sem juízo de querer escrever. Logo em dias como esses, quando parece muito claro que as palavras são sempre rasas, sempre limitadas, e ao mesmo tempo sempre infinitas e por isso infinitamente distantes. Logo em dias assim, sem referências, sem absolutos pra acalentar meus relativismos pessoais. Em tempos em que eu gostaria de poder engolir todos os dicionários e todos os livros em todas as línguas vivas e mortas enquanto Paulo insiste em lembrar: tanto saber, Débora, tanto saber pra não amar ninguém no fim da vida.
A ansiedade começa na boca do estômago. Mas passam-se umas horas e ela se espalha por todas as cavidades ocas do corpo. E escala minha garganta e nocauteia meus ouvidos. E não me dá paz. Não me dá paz nenhuma. As palavras me seduzem e me decepcionam e me deixam sozinha com uma vontade vazia de abraçar um mundo sem rosto, de encontrar uma resolução que me sussurre a canção de ninar da qual não desfrutei quando era tempo e que me dê o sono dos justos. As palavras me fazem falsas promessas e quando corro atrás delas fico assim, com medo, porque me fizeram desejar ser uma pessoa que eu provavelmente nunca serei enquanto estiver tentando ser.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Veio de longe.
Atravessou dois oceanos e cinco desertos, e bateu na minha porta.
Homem-espelho.
Conhecemo-nos pelo nome e adentramos na biblioteca um do outro.
Passávamos as horas em silêncio
No milagre de dispensar palavras e relógios
E não éramos sós
Mas isto foi antes de queimarem meus dicionários e meus despertadores e anestesiarem todos os meus sentidos porque agora estou hermética.
Eu olhei nos olhos dele
(Ou seja, nos meus)
E vi que ainda estou tão só quanto quatro anos atrás.
Atravessou dois oceanos e cinco desertos, e bateu na minha porta.
Homem-espelho.
Conhecemo-nos pelo nome e adentramos na biblioteca um do outro.
Passávamos as horas em silêncio
No milagre de dispensar palavras e relógios
E não éramos sós
Mas isto foi antes de queimarem meus dicionários e meus despertadores e anestesiarem todos os meus sentidos porque agora estou hermética.
Eu olhei nos olhos dele
(Ou seja, nos meus)
E vi que ainda estou tão só quanto quatro anos atrás.
terça-feira, 29 de julho de 2014
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